domingo, 29 de janeiro de 2012

Antoine de Saint-Exupéry

' - Exatamente, disse a raposa. Tu não és
para mim senão um garoto inteiramente
igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos
necessidade um do outro. Serás pra mim o
único no mundo. E eu serei para ti a única
no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me
aborreço um pouco. Mas se tu me cativas,
minha vida será como que cheia de sol.
Conhecerei o barulho de passos que será
diferente dos outros. Os outros me fazem
entrar debaixo da terra. O teu me chamará
para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de
trigo? Eu não como pão. O trigo para mim
é inútil. Os campos de trigo não me
lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas
tu tens cabelo cor de ouro. E então serás
maravilhoso quando me tiverdes cativado.
O trigo que é dourado fará lembrar-me de
ti. E eu amarei o barulho do vento do
trigo...
A raposa então calou-se e considerou
muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela. '

Antoine de Saint-Exupéry

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